De uns tempos pra cá, muita coisa mudou. Deletei um monte de gente da minha vida. Tudo sem um pingo de remorso. Quem me conhece, sabe que eu nunca fui assim. Sempre dei segundas, terceiras e décimas chances pra todo mundo. Sempre compreendi os erros alheios. Chorei e sofri junto. E passei a mão na cabeça de quem fingia querer o meu bem. Estou mentindo?
A verdade é que, se me analisarem hoje, eu virei outra pessoa. Sou
quase a mesma de sempre, mas sinto que não sou mais boazinha. Minha
tolerância acabou, minha intuição fareja à distância uma cabecinha
ruim. Não aceito mais ser amiga de gente falsa, de gente mal-resolvida e
que me ferra pelas costas. Não tenho raiva de ninguém, mas minha
prioridade agora é uma só: eu. Chega uma hora na vida que a gente tem
que parar de ser boa com os outros e ser boa – primeiramente - com a
gente. Outro dia uma amiga me disse uma frase que prometi não esquecer:
quando o “ajudar ao outro” começa a te prejudicar, chegou a hora de
parar. Ok. Me desculpem, então, os que larguei à deriva. Eu não vou
tolerar ninguém que me faça ter sentimentos que não sejam incríveis. É
uma questão de respeito com a minha própria vida. E comigo mesma. Não
quero. Não posso. Não vou. Então pra você que acha que eu sou a mesma
boba de sempre (que escuta, releva e põe panos quentes), um aviso: tome cuidado comigo.Porque agora que eu sei o que me é caro, não vou mais deixar barato.

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